Património

História

A Freguesia de Quelfes, segundo Ataíde de Oliveira, foi criada em 1614, por desanexação da Freguesia de S Pedro de Faro, no entanto há quem defenda que a mesma é mais antiga, já existindo em meados do século XVI. Apesar da incerteza quanto à data da sua criação, o povoamento do seu território é bem mais antigo, remontando à época Romana, sendo a vila Romana da Quinta de Marim uma das principais estações arqueológicas Algarvias referentes a esse período.

A Freguesia de Quelfes sempre foi caracterizada por um povoamento disperso pelos campos e pomares da sua zona rural, sendo que o lugar mais densamente povoado da Freguesia foi desanexado em 1695, constituindo a Freguesia de Olhão.

Quelfes tem como orago S Sebastião, ao qual foi dedicada a igreja matriz que ficou gravemente danificada no terramoto de 1755 tendo posteriormente sido reconstruída.

Quelfes ficou conhecida devido à batalha ocorrida na ponte romana, no dia 18 de Junho de 1808, ainda hoje festejado como dia da Freguesia. Nesse dia, populares oriundos de Olhão auxiliados pelas gentes de Quelfes emboscaram um destacamento de tropas Francesas que tinham sido enviadas de Tavira para pôr cobro à revolta Olhanense contra o domínio Francês. O resultado da batalha teve como efeitos práticos o facto de Olhão ter sido a primeira localidade a sul do Tejo a repelir os invasores, facto que se tornou incontornável na história de Olhão e do Algarve. Pelo patriotismo demonstrado, Olhão foi, em 1808, constituído termo, separado de Faro, com as Freguesias de Olhão, Quelfes, Moncarapacho e Pechão.

Em 1838 a Freguesia de Quelfes foi extinta, tendo o seu território dividido pelas Freguesias de Olhão, Pechão e Moncarapacho. Apesar desta decisão, a mesma nunca foi posta em prática, tendo sido anulada em 1933 terminando assim 95 anos em que a Freguesia existiu “ilegalmente”.

Na parte final do século XX, com o progressivo crescimento da vila, e depois, cidade de Olhão, cada vez mais terrenos de Quelfes foram urbanizados, dando origem a um enorme crescimento populacional. Hoje, Quelfes é, em termos demográficos, a maior Freguesia do Concelho de Olhão, estando a maior parte da sua população na zona urbana a norte da estrada nacional 125, tendência que se mantém no início do século XXI.

Hoje, Quelfes é uma Freguesia dinâmica e com os olhos postos no futuro. Temos uma população jovem e ativa à qual tentamos dar resposta através dos equipamentos sociais construídos num passado recente. A maior parte das escolas do Concelho estão localizadas em Quelfes, tal como o Centro de Saúde de Olhão e ainda uma das 7 maravilhas de Portugal, nomeadamente, o Parque Natural da Ria Formosa, bem como equipamentos polidesportivos e recreativos/lazer, como o Ria Shoping. Em termos de solidariedade social somos a Freguesia melhor servida, sendo a ACASO a maior entidade empregadora do Concelho, depois da Câmara Municipal. O nosso passado honra-nos mas não nos esgotamos nele, é para nós referência para um futuro próspero e solidário que construímos todos os dias. Consigo, e para si.

Igreja Matriz de Quelfes

Ermida quinhentista mandada construir por moradores locais, á data de 1518 constituía-se por uma única nave com capela mor. Em 1534 foi iniciada a decoração do arco cruzeiro e da abóbada, tendo a mesma terminado em 1554. A Igreja de Quelfes servia então um razoável número de fregueses (cerca de 110).
Aquando da visita da Ordem de Militar de Santiago é dito “tem agora mais muita pedraria lavrada pêra fazerem a capella da dicta Irmida d’abobada e lhe levaõ os empreyteyros trynta e seys mil e quinhentos reaes de a fazer das maõs somente a custa dos fregueses da dicta Irmida”.
Entre 1554 e 1565 a Igreja sofreu uma profunda alteração de especialidade. Passou da antiga ermida a igreja moderna. O que restou da antiga ermida foi a capela mor, a porta lateral e o arco cruzeiro, pois segundo a Visitação de 1565 a igreja já tinha 3 naves.
O “Santuário Mariano”, publicado em 1716, referindo-se especialmente ao Santuário da Senhora do Rosário escreve de Quelfes o seguinte:
No termo da Cidade de Faro, há uma freguesia, que intitulam Quelfez; não é lugar, são montes e herdades, e com moradores d’elas, os mais vizinhos, ficam a um tiro de espingarda; e a Paróquia vê-se situada entre Faro de onde dista uma légua, e o grande lugar de Moncarapacho e a Fortaleza de Olhão. É dedicada esta Paróquia ao glorioso Mártir S. Sebastião; e sendo Igreja de campo, é tão grande que podia ser Matriz de uma boa vila. Tem 4 altares alem do Altar-mor. Da parte do Evangelho, a primeira capela é dedicada à Conceição Puríssima de Maria, Nossa Senhora; a segunda é da Senhora do Rosário. Esta Santíssima imagem é muito moderna, porque não há mais do que 19 anos que se mandou fazer e se colocou naquela igreja. De outra parte da Igreja se vêem outras duas capelas a 1ª é de Santa Catarina, Mártir, e a 2ª do glorioso portuguez Santo António.”
Em 15 de Abril de 1758, informou o cura desta freguesia, Francisco Gomes de Oliveira, em relação a Quelfes o seguinte: 
Tem esta freguesia 243 fogos, representados por 565 pessoas maiores e 82 menores.
A Igreja tem 3 naves e 8 irmandades S. Sebastião, Sr.ª da Soledade, Sr.ª do Rosário, Sra. da Conceição, Santíssimo Sacramento, Almas, Sr.ª Catarina, Sto. António.
O pároco tem e renda 60$000 reis. Está sujeito ao governo das justiças da cidade de Faro. Não tem privilégios. Há no sítio uma torre antiga chamada de Marim, em ruínas, cuja torre está situado em uma Quinta, cabeça de Morgado. 
A Igreja desta freguesia padeceu ruína no terramoto de 1755, mas felizmente, está já reedificada devendo-se isso aos cuidados dos paroquianos da freguesia”.

Ponte romana

Local
Rua Sítio de Montedor, Quelfes

Contexto Histórico

A construção desta ponte pensa-se que remonta ao Século I D.C, hoje em dia e apesar de cortado o tráfego automóvel, a mesma ainda cumpre com a sua função original, constituindo uma ligação sobre a ribeira.
A ponte tem uma estrutura modesta, o que leva a crer que se tratava de uma ponte de passagem numa estrada secundária, ou seja, fazia ligação entre uma zona privada e uma zona agrária.
Já no século XIX, a 18 de Junho de 1808, a ponte adquiriu um estatuto histórico e ficou conhecida por nas suas imediações as tropas napoleónicas terem sido derrotadas, adquirindo assim um marco histórico não só para o país, mas também para a população local. Em 1989, na sequência das comemorações da vitória dos olhanenses contra as tropas napoleónicas foi colocada uma placa comemorativa da batalha.A Ponte Romana é ainda considerada uma das mais importantes estruturas viárias da época de ocupação romana no Algarve.

Localização

Rua Sítio de Montedor, Quelfes

GPS: N 37º 3' 32,14" - W 7º 49' 13,67"

Estrutura da Ponte

A ponte romana de Quelfes apresenta uma planta rectangular regular, desenvolvendo-se de Este para Oeste. Possui um tabuleiro rampante de 23,65 metros x 4 metros ou seja, as suas 2 extremidades são rampas ascendentes que se encontram no ponto máximo da elevação.
Este tabuleiro está assente sobre um único arco de volta perfeita (volta inteira), tal como se utilizava nos tempos romanos. Sobre o seu eixo vertical encontra-se o ponto máximo de elevação. O arco é, no entanto, ligeiramente abatido e ultrapassado na secção inferior. É composto por aduelas de cantaria (blocos de pedra em forma de cunha utilizados nas zonas curvas dos arcos, colocados em sentido radial com a face côncava para o interior e a convexa para o exterior) e na sua face interior, ou intradorso, mas salientes nos pés direitos, podem-se observar silhares de pedra aparelhada, ou por outras palavras, blocos de pedra trabalhados com o efeito de serem regulares.
É constituído por paredes autoportantes (que suportam o peso da edificação), um vão de 3,95 metros (distância entre os apoios consecutivos da estrutura) e um arco com 3,35 metros de altura e uma flecha de 2, 95 metros (dimensão entre a zona em que começa a curva de um arco, chamada de linha de arranque, e o topo do arco).
É importante mencionar que elementos como a dupla rampa ascendente, a curvatura levemente ultrapassada do arco e o uso de cotovelos colocados na horizontal e pedras de menor qualidade na parte superior da ponte sugerem a existência de uma campanha construtiva posterior, possivelmente de cronologia medieval.

Chalé de Marim (ou Chalé Dr. João Lúcio)

Local
Quinta do Marim

Trata-se de um edifício construído no século XX (1916) com três pisos, de estrutura quadrangular, sem frente nem traseiras. O chalé possui quatro entradas distribuídas pelos pontos cardeais: a escadaria a norte tem a forma de peixe, a sul de guitarra, a nascente de violino e a poente de serpente, cada uma delas com o seu significado. Assim, o peixe representa a água, a guitarra o fogo, o violino o ar e a serpente a terra. A casa outrora pertença do advogado e poeta João Lúcio, nunca foi por ele habitada pois em 1918, João Lúcio faleceu vítima de pneumonia.
Atualmente e após a sua recuperação o Chalé João Lúcio alberga a Ecoteca Museu, que se encontra englobada na Rede Nacional de Ecotecas e tem como objectivos a criação de espaços mobilizadores dos cidadãos para a discussão de problemas ambientais bem como a educação ambiental.

Praia

A praia situa-se no extremo poente da Ilha da Armona, nas proximidades da Barra Grande e do pequeno povoado de pescadores e mariscadores. Para chegar à praia existem carreiras regulares de barco a partir de Faro, de Olhão e da Fuseta, que demoram aproximadamente 15 minutos, depois é preciso atravessar os labirintos de areia e vasa da Ria Formosa. A barreira arenosa é consistente e muito larga, o areal é a perder de vista e estende-se para nascente, até à praia da Fuseta, proporcionando momentos de tranquilidade a quem gosta de fazer caminhadas ou tem um barco particular. Os bancos de areias junto da barra delimitam deliciosas piscinas naturais. Também aqui se pode observar a flora rica e aromática dos campos dunares, bem como gozar os ventos mornos de leste e apreciar os tons invariavelmente fogosos do pôr-do-sol.

Moinho de Marim

A construção do moinho remonta para meados do Séc. XIX, destinando-se á moagem de cereais, laborando o mesmo até a década de 60 do Séc. XX.
O moinho de maré é um tipo de moinho movido pelo movimento da água, causado pelo desnível da maré no estuário da Ria Formosa.
O moinho de maré era formado por uma caldeira que se enchia de água, através de uma porta de água (adufa), quando a maré enchia, fechando-se em seguida, até à descida das águas, e por uma construção onde se situavam diversas moendas (pares de mós) que se destinavam ao fabrico de farinha. Quando a maré vazava, abriam-se passagens para a saída das águas que faziam mover um número variável de moendas (normalmente entre três e dez).

Ria Formosa

A Ria Formosa é um Sapal. Área protegida com o estatuto de Parque Natural e situa-se no Algarve, que é a região mais a sul de Portugal Continental. Estende-se pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António e abrange uma área de cerca de 18400 hectares ao longo de 60 km desde o Ancão até à Manta Rota. O estatuto de parque natural foi atribuído em 1987, pelo Decreto-lei 373/87 de 9 de dezembro. Antes a Ria Formosa tinha estatuto de Reserva Natural que fora instituído em 1978. A sul é protegida do Oceano Atlântico por um cordão dunar quase paralelo à orla continental, formado por 2 penínsulas (Península de Faro que engloba a praia do Ancão e a praia de Faro e a Península de Cacela que engloba a praia da Manta Rota) e 5 ilhas barreira arenosas (Ilha da Barreta, Ilha da Culatra, Ilha da Armona, Ilha de Tavira e Ilha de Cabanas) que servem de proteção a uma vasta área de sapal, canais e ilhotes. A norte, em toda a extensão, o fim da laguna não tem uma delimitação precisa, uma vez que é recortada por salinas, pequenas praias arenosas, por terra firme, agricultáveis e por linhas de água doce que nela desaguam (Ribeira de São Lourenço, Rio Seco, Ribeira de Marim, Ribeira de Mosqueiros e o Rio Gilão). Tem a sua largura máxima junto à cidade de Faro (cerca de 6 km) e variações que nos seus extremos, a Oeste e a Este, atingem algumas centenas de metros.

Vila Romana da Quinta de Marim

Escavada em 1877 por Estácio Veiga a estação arqueológica da Quinta de Marim é um dos mais importantes pontos do algarve romano, graças a sua coleção epigráfica e ao seu templo de galeria. Corresponde a um povoamento secundário pulineodear, com três centros (Porto Marítimo, Vila e Fabrica).
A vila de Marim tornou-se notória por uma coleção invulgar de lápides funerárias romanas, por algumas plantas esquemáticas de vestígios importantes da época romana e pelo achamento de um tesouro monetário de inícios do Séc. V, noticiado em 1786 sem deixar rasto posterior. Hoje parte dos acevos do Museu Nacional de Arqueologia e dos museus municipais, objetos provenientes dessas explorações, fazem de Faro e da  Figueira da Foz, ao longo do Séc. XX, antiquários e arqueólogos amadores recolheram aí objetos, e dos quais só uma pequena parte ficou à guarda dos museus de Olhão e Moncarapacho.